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Pe. Bruno Sechi – Por uma sociedade que transforme

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Pe. Bruno Sechi Em tempos onde os Direitos Humanos são relativizados para legitimar ideologias políticas extremistas e o sofrimento das pessoas é a principal manchete de ontem, hoje e amanhã, a partida de Pe. Bruno Sechi causa ainda maior dor. Conhecido por seus trabalhos sociais na periferia de Belém, Pe. Bruno faleceu na noite desta sexta-feira (29). O sacerdote foi encontrado desacordado em sua residência e socorrido por amigos próximos. O padre ainda foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu e veio a óbito. Há dias se recuperava da covid-19. Pe. Bruno Sechi tinha 80 anos e atuou em várias paróquias da Arquidiocese de Belém, primeiro como sacerdote salesiano, depois incardinado nesta Igreja Local. Atualmente era pároco na Paróquia São João Paulo II, no bairro do Curió-Utinga e Coordenador da Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz. Fazer memória da missão deste padre santo e dar a conhecer sua obra e forma de viver a fé  é uma necessidade eclesial e...

Pe. Pedro Bodei - Dom de fé para o Brasil

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Bendito seja Deus pelos santos ao pé da porta! Hoje um destes santos completa a sua Páscoa! Don Pierino, conhecido no Brasil como Pe. Pedro, falecido no dia 27 de maio, vítima do COVID19. Homem de Deus, da Igreja e do povo, foi testemunha eloquente do Reino nestas terras amazônicas, lugar que amou e que agora acolhe seu corpo em repouso. De olhar e presença serenos, Pe. Pedro foi apaixonado pela missão e pelo serviço aos pobres. Mesmo após chegar o tempo de sua aposentadoria, escolheu ficar e amar até o fim.  Relato do Pe. Pedro Bodei sobre seus anos de missão no Brasil. Fonte: site da  Diocese de Brescia. A MISSÃO DE DON PIERINO Estou completando quase quarenta anos de vida missionária no Brasil, com um intervalo de dez anos em que servi a paróquia de Marone. Eu experimentei o primeiro período na diocese de Araçuaí (Minas Gerais) junto com outros amigos, principalmente com Don Felice Bontempi e Don Giuseppe Ghitti. Nas paróquias de Medina e Comercinho. O caráter decisivo...

Redescobrir a Espiritualidade do Cotidiano

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A Criação de Adão - Michelangelo - Capela Sistina - Arquivo pessoal Como alimentar a fé sem a possibilidade de celebrar os sacramentos e se reunir em comunidade? Esta é a pergunta feita por pastores e leigos neste período – já duradouro – de isolamento social. Se a fé é relação com o Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo, é preciso voltar a Jesus de Nazaré, o Cristo encarnado, e aprender dele como viver a espiritualidade do cotidiano. Sobre isso, muito tem a nos ensinar a estimada catequista do Brasil e minha querida amiga, Therezinha Cruz, que em seu livro “ Este mundo de Deus: educar para a espiritualidade do cotidiano ” nos fala de maneira próxima e clara sobre esta dimensão – hoje tão fundamental – da vida cristã. Neste texto farei um resgate destas sábias palavras, colocando-as em relação com a mística de Jesus de Nazaré e alguns documentos do magistério eclesial. Alguém pode dizer que as únicas formas de cultivar a fé e a espiritualidade católicas nestes dias s...

O Amor é o Caminho que nos leva à Esperança

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Imagem: Pixabay O amor é o caminho que nos leva à esperança.  E esta não é uma espécie de consolação,  enquanto se esperam dias melhores.  Nem é sobretudo expectativa do que virá.  Esperar não significa projetar-se num futuro hipotético,  mas saber colher o invisível no visível, o inaudível no audível, e por aí fora.  Descobrir uma outra dimensão dentro  e além desta realidade concreta que nos é dada como presente.  Todos os nossos sentidos são implicados para acolher,  com espanto e sobressalto, a promessa que vem,  não apenas num tempo indefinido futuro,  mas já hoje, a cada momento.  A esperança mantém-nos vivos.  Não nos permite viver macerados pelo desânimo,  absorvidos pela desilusão, derrubados pelas forças da morte.  Compreender que a esperança floresce no instante  é experimentar o perfume do eterno. José Tolentino Mendonça , in " A Mística do Instante "

O que o “fique em casa” nos fala sobre a Iniciação Cristã?

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Imagem: Pixabay #fiqueemcasa, é o que temos visto e ouvido por todos os lados nestas últimas semanas. Dentre as muitas preocupações da Igreja neste período de pandemia está a impossibilidade dos católicos se reunirem na assembleia dominical e nos encontros pastorais. Alguns pastores temem a perda da fé e do vínculo eclesial por parte do seu povo. Mas isso não é unicamente um pensamento do clero. Pelas redes digitais encontramos abaixo-assinados de católicos que veem a impossibilidade de participar do culto – para salvaguardar a vida – como um máximo obstáculo para o cultivo da fé. A partir disso, surgem várias iniciativas virtuais e simbólicas de cunho religioso – mas nem sempre pastoral – que buscam manter vivo o desejo de espiritualidade no povo. Essa preocupação, por si só, deve despertar em nós a reflexão sobre como realizamos o processo mais fundamental da vida cristã: a iniciação. Afirmar que os cristãos em casa não saberão cultivar sua espiritualidade é atestar uma f...

Papa Francisco aos Movimentos Populares em tempos de Pandemia

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Papa Francisco com os Movimentos Populares em 2013 - Fonte: BrasildeFato Nestes tempos de tempestade em que vivemos, o Papa olha para o hoje e para o amanhã como pastor. Em sua visão, são os muitos e muitas servidores/as silenciosos que dão base à superação da crise. Também depois, ao término desta pandemia, surgirão desafios que não podem ser encarados apenas a partir das lógicas já carimbadas pelos poderes estruturados. É preciso ousar e recolocar a pessoa e os povos no centro das decisões e paradigmas. É um pouco sobre isso que ele escreve na belíssima mensagem aos Movimentos e Organizações Populares neste Domingo de Páscoa. Confira na íntegra (grifos nossos). Aos irmãos e irmãs dos movimentos e organizações populares. Queridos amigos, Lembro-me com frequência de nossos encontros: dois no  Vaticano  e um em  Santa Cruz de la Sierra  e confesso que essa "memória" me faz bem, me aproxima de vocês, me faz repensar em tantos diálogos durante esses e...

Paixão da Pandemia e Páscoa da Solidariedade

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Covas abertas no Cemitério da Vila Formosa, Zona Leste da capital paulista - Fonte:  https://www.terra.com.br/ “ Alegrai-vos!... Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão ” (Mt 28,9-10) Os dias que vivemos nos mostram a narrativa da paixão de Jesus na carne dos que nos são próximos. Não apenas lemos e ouvimos o seu flagelo nas páginas dos evangelhos escritos, mas o contemplamos no luto e no temor desta paixão da pandemia. Como podemos, portanto, acolher em meio ao caos a Boa Notícia da Ressurreição? Como podemos celebrar a Páscoa da sepultura vazia se ainda experimentamos a cruz? O fato é que o anúncio da Ressurreição está sempre presente. Nós celebramos o mistério que vivemos e o celebramos para poder viver. A Páscoa está presente em toda a sua potência em nossa realidade e em nossa vida chagada. As feridas não impedem e nem negam a vida nova. Ouçamos como que pela primeira vez as palavras do Senhor Ressuscitado: “...

Pandemia e a Morte de Si Mesmo

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Imagem: Pixabay Em tempos de pandemia, libertamos descaradamente o nosso sempre companheiro medo da morte. Tememos por nossa vida. Tememos pela vida daqueles que amamos. Sobretudo quando a arma está apontada direto para os que são nossas bases: mães, pais, avós, avôs, nossos idosos. A amargura é acentuada quando vemos o desprezo pela vida dos anciãos partindo, justamente, daquele que deveria ser o primeiro em sua defesa: o presidente da república. E por quê? A justificativa é simples, feita em uma língua global, compreendida por todos e falada por poucos: para proteger a economia. Em tempos de pandemia, o poder econômico liberta descaradamente o seu sempre companheiro medo da recessão. Teme pela bolsa. Teme pelo capital de giro. Teme pela redução dos zeros. “Esta economia mata”, denuncia o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n. 53). “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, m...

Fé, Castigo e Pandemia

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“Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?” (Jo 9,2) Nestes dias em que nossa geração se depara com a força de uma pandemia, surgem pensamentos, alimentados pelo medo, que buscam razões para uma questão a muito levantada: por que o mal no mundo? Por que Deus permite essa desgraça? Ele permite ou é o próprio autor deste mal? Não será castigo por termos ofendido o nome de Deus desta ou daquela forma? Como podemos aplacar a sua fúria? Há alguém que acredita e defende este deus feito “a imagem e semelhança do homem”: vingativo, irado, rancoroso. Mas este não é o Deus de Jesus Cristo; não é o Pai que Jesus conhece e que nos deu a conhecer. Também no seu tempo Jesus teve que lidar com o pensamento de que o sofrimento era castigo de Deus: “Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?”. Jesus combate essa ideia corrigindo seus discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais, mas isso serve para que se manifestem nele as obras de Deus”. A verdade frustrante é...

O cântico da Terra – Cora Coralina

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Imagem:  https://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-cora-coralina/ O cântico da Terra Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor. Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranquila ao teu esforço. Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz. Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa. E um dia bem distante a mim tu voltarás.E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás. Pla...