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Mostrando postagens com o rótulo Poemas

O amigo vento

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  A casa da frente - Arquivo pessoal Quando pequenino gostava de ver o vento que aparecia pra mim sempre quando chovia no telhado da casa da frente. Alvo, dinâmico, serelepe, todo disponível à chuva. Parecia brincar livre sem bagagem de onde veio nem seta pronde vai. Já nos dias de maturidade, em certa chuva, me pegou de súbito. Era novo como outrora, de vivacidade inda mais invejável. Mas o vento não se vê, disse a razão. Mas é justo o que estás vendo, disse o sentido. Tão única foi aquela chuva e tão comum, capaz de re-trazer o amigo vento que despejou uma vez mais meu eu em mim. 21 de março - Dia Mundial da Poesia

Os Estatutos do Homem - Thiago de Mello

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Thiago de Mello em Manaus OS ESTATUTOS DO HOMEM (Ato Institucional Permanente)   Artigo I Fica decretado que agora vale a verdade. agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.   Artigo II Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo. Artigo III Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança. Artigo IV Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu. Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino. Artigo V Fica decretado que os homens estão livres do ju...

Passach, Páscoa, Passagem

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  Mosaico da Catedral Santa Maria Mãe de Deus - Castanhal-PA. Brasil Pessach, Páscoa, Passagem, Pensamos a pandemia como breve passagem, Mas ela nos mostrou que nós é que passamos. Nós e também aqueles que nós amamos passam. A passagem às vezes se dá no tempo esperado, Às vezes inesperado. Às vezes pega de raspão, Às vezes passa e transpassa. Por vezes é um número distante, Por vezes tem rosto e nome conhecidos, Por vezes tem sangue e amor compartilhados. Tem gente que passa e parece que não passou. Tem gente que passa levando um pedaço nosso. Tem gente que passa e nos leva por inteiro. Há aqueles que passam silenciosos e marcantes. Há aqueles que deixam pegadas de bem ao passar. Há também os que acolhem a passagem com um sorriso Há os que quando passam, não tem ninguém a quem sorrir. Passar para onde? Passar para quê? Não se trata de passar como quem vai e logo volta. Nem se trata de um passo no vazio. Passamos para Aquele que não passa. Passamos da vida a seu Autor Passamos do re...

Poema do Amanhã

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O tempo que leva os sorrisos Leva também as lágrimas Pelos tristes, eu peço: Ó Deus, dai-lhes o pão da alegria! O tempo que destrói o hoje Também constrói o amanhã Por isso, pelos destópicos peço: Ó Deus, dai-lhes o pão do sonho! O tempo que desespera Ensina também a esperar Pelos que se enfadam, eu peço: Ó Deus, dai-lhes o pão da esperança! O tempo que planta a guerra Também a arranca pela raiz Então, pelos que odeiam, eu peço: Ó Deus, dai-lhes o pão da paz! O tempo que traz o luto Também revela o que é viver Pelos que já não amam peço: Ó Deus, dai-lhes o pão da vida! - Victor Paiva

O Amor é o Caminho que nos leva à Esperança

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Imagem: Pixabay O amor é o caminho que nos leva à esperança.  E esta não é uma espécie de consolação,  enquanto se esperam dias melhores.  Nem é sobretudo expectativa do que virá.  Esperar não significa projetar-se num futuro hipotético,  mas saber colher o invisível no visível, o inaudível no audível, e por aí fora.  Descobrir uma outra dimensão dentro  e além desta realidade concreta que nos é dada como presente.  Todos os nossos sentidos são implicados para acolher,  com espanto e sobressalto, a promessa que vem,  não apenas num tempo indefinido futuro,  mas já hoje, a cada momento.  A esperança mantém-nos vivos.  Não nos permite viver macerados pelo desânimo,  absorvidos pela desilusão, derrubados pelas forças da morte.  Compreender que a esperança floresce no instante  é experimentar o perfume do eterno. José Tolentino Mendonça , in " A Mística do Instante "

O cântico da Terra – Cora Coralina

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Imagem:  https://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-cora-coralina/ O cântico da Terra Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor. Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranquila ao teu esforço. Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz. Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa. E um dia bem distante a mim tu voltarás.E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás. Pla...