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Maria, a menina do SIM

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  Imagem: Pixabay O Advento chega trazendo as surpresas de um novo ano litúrgico, um novo começo que nos reapresenta antigas imagens revestidas da sede de hoje. Dentre seus ícones mais preciosos, encontramos Maria de Nazaré, a escolhida Mãe, a menina do sim, a servidora desinstalada. Somos convidados a nos deixar iluminar por sua humanidade divinizada, que está sempre “de pé”, em prontidão às surpresas de Deus.   Uma antífona da festa da Imaculada Conceição assim canta: Ave, Rosa, tão bela e pura, Sempre aberta à graça de Deus; ave, Esposa fiel e bendita, Ornada de joias douradas; Alegraste teu Deus, mais que os anjos.   A Igreja aclama Maria como rosa bela e pura . Estas atribuições indicam o mistério de sua concepção preservada do pecado das origens, aquela gota de veneno tão humana que nos faz querer ser deuses, viver para si, fechar-nos à vocação da verdadeira vida. A pureza é bela não quando é meramente externa, superficial ou autoimposta, mas sim quand...

Redescobrir a Espiritualidade do Cotidiano

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A Criação de Adão - Michelangelo - Capela Sistina - Arquivo pessoal Como alimentar a fé sem a possibilidade de celebrar os sacramentos e se reunir em comunidade? Esta é a pergunta feita por pastores e leigos neste período – já duradouro – de isolamento social. Se a fé é relação com o Pai, por meio do Filho, no Espírito Santo, é preciso voltar a Jesus de Nazaré, o Cristo encarnado, e aprender dele como viver a espiritualidade do cotidiano. Sobre isso, muito tem a nos ensinar a estimada catequista do Brasil e minha querida amiga, Therezinha Cruz, que em seu livro “ Este mundo de Deus: educar para a espiritualidade do cotidiano ” nos fala de maneira próxima e clara sobre esta dimensão – hoje tão fundamental – da vida cristã. Neste texto farei um resgate destas sábias palavras, colocando-as em relação com a mística de Jesus de Nazaré e alguns documentos do magistério eclesial. Alguém pode dizer que as únicas formas de cultivar a fé e a espiritualidade católicas nestes dias s...

Paixão da Pandemia e Páscoa da Solidariedade

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Covas abertas no Cemitério da Vila Formosa, Zona Leste da capital paulista - Fonte:  https://www.terra.com.br/ “ Alegrai-vos!... Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão ” (Mt 28,9-10) Os dias que vivemos nos mostram a narrativa da paixão de Jesus na carne dos que nos são próximos. Não apenas lemos e ouvimos o seu flagelo nas páginas dos evangelhos escritos, mas o contemplamos no luto e no temor desta paixão da pandemia. Como podemos, portanto, acolher em meio ao caos a Boa Notícia da Ressurreição? Como podemos celebrar a Páscoa da sepultura vazia se ainda experimentamos a cruz? O fato é que o anúncio da Ressurreição está sempre presente. Nós celebramos o mistério que vivemos e o celebramos para poder viver. A Páscoa está presente em toda a sua potência em nossa realidade e em nossa vida chagada. As feridas não impedem e nem negam a vida nova. Ouçamos como que pela primeira vez as palavras do Senhor Ressuscitado: “...

Pandemia e a Morte de Si Mesmo

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Imagem: Pixabay Em tempos de pandemia, libertamos descaradamente o nosso sempre companheiro medo da morte. Tememos por nossa vida. Tememos pela vida daqueles que amamos. Sobretudo quando a arma está apontada direto para os que são nossas bases: mães, pais, avós, avôs, nossos idosos. A amargura é acentuada quando vemos o desprezo pela vida dos anciãos partindo, justamente, daquele que deveria ser o primeiro em sua defesa: o presidente da república. E por quê? A justificativa é simples, feita em uma língua global, compreendida por todos e falada por poucos: para proteger a economia. Em tempos de pandemia, o poder econômico liberta descaradamente o seu sempre companheiro medo da recessão. Teme pela bolsa. Teme pelo capital de giro. Teme pela redução dos zeros. “Esta economia mata”, denuncia o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n. 53). “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, m...

Fé, Castigo e Pandemia

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“Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?” (Jo 9,2) Nestes dias em que nossa geração se depara com a força de uma pandemia, surgem pensamentos, alimentados pelo medo, que buscam razões para uma questão a muito levantada: por que o mal no mundo? Por que Deus permite essa desgraça? Ele permite ou é o próprio autor deste mal? Não será castigo por termos ofendido o nome de Deus desta ou daquela forma? Como podemos aplacar a sua fúria? Há alguém que acredita e defende este deus feito “a imagem e semelhança do homem”: vingativo, irado, rancoroso. Mas este não é o Deus de Jesus Cristo; não é o Pai que Jesus conhece e que nos deu a conhecer. Também no seu tempo Jesus teve que lidar com o pensamento de que o sofrimento era castigo de Deus: “Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?”. Jesus combate essa ideia corrigindo seus discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais, mas isso serve para que se manifestem nele as obras de Deus”. A verdade frustrante é...