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Papa Francisco aos Movimentos Populares em tempos de Pandemia

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Papa Francisco com os Movimentos Populares em 2013 - Fonte: BrasildeFato Nestes tempos de tempestade em que vivemos, o Papa olha para o hoje e para o amanhã como pastor. Em sua visão, são os muitos e muitas servidores/as silenciosos que dão base à superação da crise. Também depois, ao término desta pandemia, surgirão desafios que não podem ser encarados apenas a partir das lógicas já carimbadas pelos poderes estruturados. É preciso ousar e recolocar a pessoa e os povos no centro das decisões e paradigmas. É um pouco sobre isso que ele escreve na belíssima mensagem aos Movimentos e Organizações Populares neste Domingo de Páscoa. Confira na íntegra (grifos nossos). Aos irmãos e irmãs dos movimentos e organizações populares. Queridos amigos, Lembro-me com frequência de nossos encontros: dois no  Vaticano  e um em  Santa Cruz de la Sierra  e confesso que essa "memória" me faz bem, me aproxima de vocês, me faz repensar em tantos diálogos durante esses e...

Paixão da Pandemia e Páscoa da Solidariedade

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Covas abertas no Cemitério da Vila Formosa, Zona Leste da capital paulista - Fonte:  https://www.terra.com.br/ “ Alegrai-vos!... Não tenhais medo. Ide anunciar a meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão ” (Mt 28,9-10) Os dias que vivemos nos mostram a narrativa da paixão de Jesus na carne dos que nos são próximos. Não apenas lemos e ouvimos o seu flagelo nas páginas dos evangelhos escritos, mas o contemplamos no luto e no temor desta paixão da pandemia. Como podemos, portanto, acolher em meio ao caos a Boa Notícia da Ressurreição? Como podemos celebrar a Páscoa da sepultura vazia se ainda experimentamos a cruz? O fato é que o anúncio da Ressurreição está sempre presente. Nós celebramos o mistério que vivemos e o celebramos para poder viver. A Páscoa está presente em toda a sua potência em nossa realidade e em nossa vida chagada. As feridas não impedem e nem negam a vida nova. Ouçamos como que pela primeira vez as palavras do Senhor Ressuscitado: “...

Pandemia e a Morte de Si Mesmo

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Imagem: Pixabay Em tempos de pandemia, libertamos descaradamente o nosso sempre companheiro medo da morte. Tememos por nossa vida. Tememos pela vida daqueles que amamos. Sobretudo quando a arma está apontada direto para os que são nossas bases: mães, pais, avós, avôs, nossos idosos. A amargura é acentuada quando vemos o desprezo pela vida dos anciãos partindo, justamente, daquele que deveria ser o primeiro em sua defesa: o presidente da república. E por quê? A justificativa é simples, feita em uma língua global, compreendida por todos e falada por poucos: para proteger a economia. Em tempos de pandemia, o poder econômico liberta descaradamente o seu sempre companheiro medo da recessão. Teme pela bolsa. Teme pelo capital de giro. Teme pela redução dos zeros. “Esta economia mata”, denuncia o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n. 53). “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, m...

Fé, Castigo e Pandemia

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“Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?” (Jo 9,2) Nestes dias em que nossa geração se depara com a força de uma pandemia, surgem pensamentos, alimentados pelo medo, que buscam razões para uma questão a muito levantada: por que o mal no mundo? Por que Deus permite essa desgraça? Ele permite ou é o próprio autor deste mal? Não será castigo por termos ofendido o nome de Deus desta ou daquela forma? Como podemos aplacar a sua fúria? Há alguém que acredita e defende este deus feito “a imagem e semelhança do homem”: vingativo, irado, rancoroso. Mas este não é o Deus de Jesus Cristo; não é o Pai que Jesus conhece e que nos deu a conhecer. Também no seu tempo Jesus teve que lidar com o pensamento de que o sofrimento era castigo de Deus: “Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?”. Jesus combate essa ideia corrigindo seus discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais, mas isso serve para que se manifestem nele as obras de Deus”. A verdade frustrante é...

O cântico da Terra – Cora Coralina

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Imagem:  https://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-cora-coralina/ O cântico da Terra Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor. Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranquila ao teu esforço. Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz. Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa. E um dia bem distante a mim tu voltarás.E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás. Pla...