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Pandemia e a Morte de Si Mesmo

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Imagem: Pixabay Em tempos de pandemia, libertamos descaradamente o nosso sempre companheiro medo da morte. Tememos por nossa vida. Tememos pela vida daqueles que amamos. Sobretudo quando a arma está apontada direto para os que são nossas bases: mães, pais, avós, avôs, nossos idosos. A amargura é acentuada quando vemos o desprezo pela vida dos anciãos partindo, justamente, daquele que deveria ser o primeiro em sua defesa: o presidente da república. E por quê? A justificativa é simples, feita em uma língua global, compreendida por todos e falada por poucos: para proteger a economia. Em tempos de pandemia, o poder econômico liberta descaradamente o seu sempre companheiro medo da recessão. Teme pela bolsa. Teme pelo capital de giro. Teme pela redução dos zeros. “Esta economia mata”, denuncia o Papa Francisco na sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n. 53). “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica, m...

Fé, Castigo e Pandemia

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“Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?” (Jo 9,2) Nestes dias em que nossa geração se depara com a força de uma pandemia, surgem pensamentos, alimentados pelo medo, que buscam razões para uma questão a muito levantada: por que o mal no mundo? Por que Deus permite essa desgraça? Ele permite ou é o próprio autor deste mal? Não será castigo por termos ofendido o nome de Deus desta ou daquela forma? Como podemos aplacar a sua fúria? Há alguém que acredita e defende este deus feito “a imagem e semelhança do homem”: vingativo, irado, rancoroso. Mas este não é o Deus de Jesus Cristo; não é o Pai que Jesus conhece e que nos deu a conhecer. Também no seu tempo Jesus teve que lidar com o pensamento de que o sofrimento era castigo de Deus: “Quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?”. Jesus combate essa ideia corrigindo seus discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais, mas isso serve para que se manifestem nele as obras de Deus”. A verdade frustrante é...

O cântico da Terra – Cora Coralina

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Imagem:  https://escolaeducacao.com.br/melhores-poemas-de-cora-coralina/ O cântico da Terra Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor. Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranquila ao teu esforço. Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz. Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor. A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa. E um dia bem distante a mim tu voltarás.E no canteiro materno de meu seio tranqüilo dormirás. Pla...